Quatro pilares para pensar a implantação de programas de diversidade e inclusão

Por Isabella Cardozo, sócia e Wania Sant’Anna, consultora para Diversidade & Inclusão

Há cerca de três anos iniciamos no escritório um projeto de Diversidade e Sustentabilidade do qual tivemos, e temos, o prazer de sermos coautoras. Embora não exista uma fórmula padronizada para a construção de projetos de diversidade em ambientes corporativos, partindo da nossa experiência foi possível perceber que essas iniciativas são, usando uma figura de linguagem, organismos vivos alimentados e articulados por quatro órgãos e membros essenciais, quais sejam, intenção, conexões, impacto e métricas.

Nessa analogia, a intenção seriam os pés, pois é o que move os projetos para frente. Ações orgânicas podem até ser diversas e inclusivas, mas apenas ações estruturadas e com intencionalidade conseguem ser amplas e englobar várias interseccionalidades. Afinal, é preciso ter vontade e partir para ação, promovendo mudanças que, efetivamente mexam com as estruturas de nossas organizações e de nossa sociedade. Foi a partir da intencionalidade que resolvemos, por exemplo, os gaps salarias de gênero e raça na Daniel Advogados, que modificamos o processo seletivo de ingresso no escritório e que passamos a incluir e contratar fornecedores de perfis diversos em nossa cadeia de suprimentos.

As conexões seriam as veias ou, mais amplamente, a corrente sanguínea. Na atualidade, é possível afirmar que existe uma rede de fomento e apoio à diversidade em ambientes corporativos e cada indivíduo ou organização que se engaja à essa rede atua em sua capilarização, ampliação e fortalecimento. As conexões possibilitam sensibilização, compartilhamento de aprendizados e medição de boas práticas. Foram essas conexões que nos brindaram em conhecer o Caio Magri e nos levaram a nos associar ao Instituto Ethos, além de assinar o compromisso com o Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, e ouvir dele reflexões muito importantes, como: “Quem cabe no seu todos?” ou “Meritocrático é o ambiente que desenvolve as pessoas e não o que acredita poder achá-las prontas”. As conexões ainda nos permitiram o deleite de conhecer o projeto, as intervenções e as obras da Rede Nami. Com esse grupo aprendemos a importância de enfrentar a violência contra as mulheres a partir do engajamento das jovens à essa causa.

Já o impacto seria o coração. Tem algo a ser mencionado aqui sobre a função de válvula do coração, bombeamento – a ação de bombeamento impacta todo o organismo. É curioso que o ciclo de impacto de ações de diversidade começa e termina nos indivíduos, mas sempre transborda para o seu entorno. Começa porque a primeira pessoa que se modifica é a própria pessoa que se envolve no projeto de diversidade. Termina porque, no fundo, estamos falando de pessoas e o impacto das ações de diversidade ganha tangibilidade exatamente quando ele toca a vida das pessoas. E transborda porque impacta o entorno – transborda para a família do indivíduo, para a empresa na qual ele trabalha, para as organizações com as quais se relaciona e para comunidade na qual está inserido. E comprovamos esse impacto na vida dos nossos colaboradores e também nas ações que empreendemos com entidades da sociedade civil e com um rol de fornecedores diversos que passamos a contratar e divulgar ampliando assim sua visibilidade.

Por fim as métricas seriam o cérebro. As métricas são a memória do que já foi realizado. Elas demonstram e prestam contas, mas também diagnosticam gaps, proporcionam descobertas e motivam planejamento. Afinal, como organismos vivos, os projetos de diversidade precisam ser dinâmicos, posto que só são sustentáveis quando se mantêm em movimento e acompanham a maturidade da empresa e da própria sociedade civil.

Recentemente lançamos um livro objetivando exatamente dividir a nossa trajetória, fomentar a intencionalidade de ações de D&I no nosso mercado e, por consequência, ampliar as conexões e impactos que ações de D&I tendem a proporcionar.

E a conclusão que chegamos no decorrer da nossa caminhada é que o espírito de projetos de Diversidade e Sustentabilidade pode ser sintetizado com um provérbio africano que diz: “Se quiser ir rápido vá sozinho, se quiser ir longe vá em grupo”. Então, o nosso desejo é que possamos ir cada vez mais juntos, em grupo, para modificar a estrutura da nossa sociedade e do mundo jurídico que ainda pode contribuir muito e ser um agente relevante de transformação.

 

Artigo publicado no Análise Editorial. Leia aqui.

Por Isabella Cardozo, sócia e Wania Sant’Anna, consultora para Diversidade & Inclusão

Há cerca de três anos iniciamos no escritório um projeto de Diversidade e Sustentabilidade do qual tivemos, e temos, o prazer de sermos coautoras. Embora não exista uma fórmula padronizada para a construção de projetos de diversidade em ambientes corporativos, partindo da nossa experiência foi possível perceber que essas iniciativas são, usando uma figura de linguagem, organismos vivos alimentados e articulados por quatro órgãos e membros essenciais, quais sejam, intenção, conexões, impacto e métricas.

Nessa analogia, a intenção seriam os pés, pois é o que move os projetos para frente. Ações orgânicas podem até ser diversas e inclusivas, mas apenas ações estruturadas e com intencionalidade conseguem ser amplas e englobar várias interseccionalidades. Afinal, é preciso ter vontade e partir para ação, promovendo mudanças que, efetivamente mexam com as estruturas de nossas organizações e de nossa sociedade. Foi a partir da intencionalidade que resolvemos, por exemplo, os gaps salarias de gênero e raça na Daniel Advogados, que modificamos o processo seletivo de ingresso no escritório e que passamos a incluir e contratar fornecedores de perfis diversos em nossa cadeia de suprimentos.

As conexões seriam as veias ou, mais amplamente, a corrente sanguínea. Na atualidade, é possível afirmar que existe uma rede de fomento e apoio à diversidade em ambientes corporativos e cada indivíduo ou organização que se engaja à essa rede atua em sua capilarização, ampliação e fortalecimento. As conexões possibilitam sensibilização, compartilhamento de aprendizados e medição de boas práticas. Foram essas conexões que nos brindaram em conhecer o Caio Magri e nos levaram a nos associar ao Instituto Ethos, além de assinar o compromisso com o Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, e ouvir dele reflexões muito importantes, como: “Quem cabe no seu todos?” ou “Meritocrático é o ambiente que desenvolve as pessoas e não o que acredita poder achá-las prontas”. As conexões ainda nos permitiram o deleite de conhecer o projeto, as intervenções e as obras da Rede Nami. Com esse grupo aprendemos a importância de enfrentar a violência contra as mulheres a partir do engajamento das jovens à essa causa.

Já o impacto seria o coração. Tem algo a ser mencionado aqui sobre a função de válvula do coração, bombeamento – a ação de bombeamento impacta todo o organismo. É curioso que o ciclo de impacto de ações de diversidade começa e termina nos indivíduos, mas sempre transborda para o seu entorno. Começa porque a primeira pessoa que se modifica é a própria pessoa que se envolve no projeto de diversidade. Termina porque, no fundo, estamos falando de pessoas e o impacto das ações de diversidade ganha tangibilidade exatamente quando ele toca a vida das pessoas. E transborda porque impacta o entorno – transborda para a família do indivíduo, para a empresa na qual ele trabalha, para as organizações com as quais se relaciona e para comunidade na qual está inserido. E comprovamos esse impacto na vida dos nossos colaboradores e também nas ações que empreendemos com entidades da sociedade civil e com um rol de fornecedores diversos que passamos a contratar e divulgar ampliando assim sua visibilidade.

Por fim as métricas seriam o cérebro. As métricas são a memória do que já foi realizado. Elas demonstram e prestam contas, mas também diagnosticam gaps, proporcionam descobertas e motivam planejamento. Afinal, como organismos vivos, os projetos de diversidade precisam ser dinâmicos, posto que só são sustentáveis quando se mantêm em movimento e acompanham a maturidade da empresa e da própria sociedade civil.

Recentemente lançamos um livro objetivando exatamente dividir a nossa trajetória, fomentar a intencionalidade de ações de D&I no nosso mercado e, por consequência, ampliar as conexões e impactos que ações de D&I tendem a proporcionar.

E a conclusão que chegamos no decorrer da nossa caminhada é que o espírito de projetos de Diversidade e Sustentabilidade pode ser sintetizado com um provérbio africano que diz: “Se quiser ir rápido vá sozinho, se quiser ir longe vá em grupo”. Então, o nosso desejo é que possamos ir cada vez mais juntos, em grupo, para modificar a estrutura da nossa sociedade e do mundo jurídico que ainda pode contribuir muito e ser um agente relevante de transformação.

 

Artigo publicado no Análise Editorial. Leia aqui.










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